Mercado Automotivo do Reino Unido: como o país alcançou 25% de veículos elétricos e o que o Brasil pode aprender
- 1 day ago
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O Reino Unido tornou-se um dos casos mais relevantes da transição energética no setor automotivo. Em 2025, aproximadamente 25% das vendas de veículos novos no país já correspondem a modelos elétricos a bateria, um patamar expressivo para um mercado maduro, altamente regulado e com elevada densidade urbana. Esse resultado não é fruto de um único fator, mas da combinação consistente de políticas públicas, infraestrutura, regulação e comportamento do consumidor ao longo de mais de uma década.
Os pilares que explicam a elevada adoção de veículos elétricos no Reino Unido
1. Política regulatória clara e previsível
O governo britânico estabeleceu, com antecedência, metas objetivas para a eliminação progressiva dos veículos a combustão. A proibição da venda de carros novos exclusivamente a gasolina e diesel foi definida com cronograma claro, criando previsibilidade para montadoras, concessionárias e consumidores. Essa estabilidade regulatória reduziu o risco de investimento e acelerou a adaptação da indústria.
2. Incentivos econômicos bem direcionados
Embora os subsídios diretos à compra tenham sido gradualmente reduzidos, o Reino Unido manteve benefícios fiscais relevantes, como isenção ou redução de impostos de circulação, vantagens para frotas corporativas e estímulos para empresas que eletrificam seus veículos. O foco deixou de ser apenas o consumidor final e passou a abranger grandes volumes por meio de locadoras e frotistas.
3. Infraestrutura de recarga capilarizada
Um dos diferenciais mais importantes é a rede de recarga pública e privada, integrada a rodovias, centros urbanos e áreas residenciais. Investimentos contínuos em carregadores rápidos e ultrarrápidos reduziram a ansiedade de autonomia, tornando o veículo elétrico uma opção viável para o uso cotidiano e não apenas urbano.
4. Papel estratégico das frotas e locadoras
Empresas, locadoras e serviços de mobilidade tiveram papel central na aceleração da eletrificação. A renovação de frotas corporativas criou escala, impulsionou o mercado de usados elétricos e ajudou a normalizar essa tecnologia junto ao consumidor final, reduzindo barreiras culturais.
5. Consciência ambiental aliada a custo total de propriedade
O consumidor britânico passou a avaliar o veículo elétrico não apenas sob a ótica ambiental, mas também pelo custo total de propriedade, que inclui manutenção reduzida, incentivos fiscais e menor volatilidade de custos energéticos em comparação aos combustíveis fósseis.
O que o Brasil pode aprender com o modelo britânico
O Brasil possui características distintas e, ao mesmo tempo, vantagens estruturais próprias. Diferentemente do Reino Unido, o Brasil conta com uma matriz energética mais limpa, na qual o etanol de cana-de-açúcar desempenha papel relevante na redução de emissões. Isso significa que a transição brasileira não precisa ser uma simples replicação do modelo europeu, mas sim uma estratégia híbrida e adaptada à realidade local.
Alguns aprendizados são particularmente relevantes:
• Previsibilidade regulatória: metas claras e de longo prazo, mesmo que graduais, criam confiança para investimentos em novas tecnologias, sejam elas elétricas, híbridas ou baseadas em biocombustíveis.
• Integração tecnológica: o Brasil pode acelerar soluções que combinem eletrificação e etanol, como híbridos flex, reduzindo emissões sem depender exclusivamente de uma infraestrutura elétrica ainda em expansão.
• Frotas como motor da mudança: assim como no Reino Unido, locadoras, empresas e frotistas brasileiros podem liderar a adoção de novas tecnologias, criando escala e mercado secundário.
• Análise de custo total: políticas públicas e estratégias comerciais devem enfatizar não apenas o preço de aquisição, mas todo o ciclo de vida do veículo, incluindo impostos, manutenção, consumo energético e valor de revenda.
O sucesso do Reino Unido na adoção de veículos elétricos mostra que a transição energética no setor automotivo depende menos de soluções isoladas e mais de coerência estratégica ao longo do tempo. Para o Brasil, o caminho passa por combinar sua vocação em biocombustíveis com a eletrificação progressiva, construindo um modelo próprio, competitivo e ambientalmente eficiente.
A Checkprice acompanha de perto essas transformações no mercado automotivo global e nacional, analisando dados, tendências regulatórias e impactos econômicos. Com inteligência de mercado aplicada, a Checkprice pode auxiliar sua empresa a entender como essas mudanças afetam preços, decisões de compra, gestão de frotas e estratégias de longo prazo, apoiando escolhas mais seguras e alinhadas ao futuro da mobilidade.
Igor Kalassa, Marketing Checkprice



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